Indicado ao Oscar 2026 de Melhor Ator, Wagner Moura construiu uma carreira iniciada no teatro baiano, marcada por personagem icônico na TV e em produções internacionais.

O ator baiano Wagner Moura vive um dos momentos mais emblemáticos da carreira após ser indicado ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Ator pelo filme “O Agente Secreto”. É a primeira vez que um brasileiro concorre ao prêmio nessa categoria.
Além da indicação de atuação, o longa nacional recebeu mais três nomeações e empatou com o recorde histórico de “Cidade de Deus”, que em 2004 também obteve quatro indicações à maior premiação do cinema mundial.
Com uma trajetória iniciada nos palcos do teatro em Salvador, Wagner Moura construiu ao longo das últimas décadas uma carreira sólida e diversa, transitando com naturalidade entre o teatro, a televisão, o cinema nacional e produções internacionais.
Relembre a trajetória do ator baiano abaixo:
Início da carreira no teatro baiano
Natural de Salvador, o ator passou parte da infância em Rodelas, no interior do estado. Durante a adolescência, ao retornar à capital baiana, iniciou sua carreira no teatro. Wagner também se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Aos 16 anos, ele já atuava nos palcos de Salvador e participou de peças como Cuida Bem de Mim e A Casa de Eros. Em 1997, sua performance em Abismo de Rosas, dirigida por Fernando Guerreiro, lhe rendeu o prêmio Revelação no Prêmio Braskem de Teatro.
O reconhecimento nacional veio com a peça A Máquina, de João Falcão, em 2000, em que atuou ao lado de Lázaro Ramos e Vladimir Brichta. O espetáculo abriu portas para Wagner Moura no cinema e na televisão.
Destaque no cinema com “Ó Paí, Ó”
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Lázaro Ramos e Wagner Moura no filme Ó Paí, Ó — Foto: Dueto Filmes
O ator ganhou projeção nacional no cinema ao interpretar Boca no filme “Ó Paí, Ó” (2007), dirigido por Monique Gardenberg.
Ambientado no Pelourinho durante o Carnaval, o longa retrata o cotidiano de moradores do Centro Histórico de Salvador, abordando temas como racismo, desigualdade social, religiosidade, intolerância e resistência cultural.
Sucesso na TV com vilões e protagonistas
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Olavo (Wagner Moura) e Bebel (Camila Pitanga) em cena de “Paraíso Tropical” — Foto: TV Globo/Willian Andrade
Na televisão, Wagner Moura consolidou seu nome em novelas da TV Globo. Um dos papéis mais lembrados é o do empresário Olavo, vilão da novela “Paraíso Tropical” (2007), que formou um dos casais mais icônicos da teledramaturgia ao lado de Bebel, personagem vivida por Camila Pitanga.
Antes disso, Wagner interpretou o personagem Gustavo na novela “A Lua Me Disse”, em 2005. No folhetim, ele era filho de Ester, personagem vivida por Zezé Polessa, e disputava o amor de Heloísa (Adriana Esteves).
Projeção internacional em “Narcos”
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Wagner Moura em ‘Narcos’ — Foto: Divulgação
A carreira internacional ganhou força com a série “Narcos”, da Netflix, na qual Wagner interpretou o narcotraficante colombiano Pablo Escobar. O papel rendeu reconhecimento mundial e uma indicação ao Globo de Ouro.
Para viver Escobar, Wagner Moura passou por uma preparação, que incluiu aprendizado do espanhol e ganho de peso.
Direção em “Marighella”
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Seu Jorge e o diretor Wagner Moura no set de ‘Marighella’ — Foto: Divulgação
Em 2021, Wagner Moura dirigiu, roteirizou e produziu o filme Marighella, que conta a história do baiano Carlos Marighella: guerrilheiro, político e escritor, assassinado em uma emboscada, pela ditadura militar, em 1969.
O longa é baseado na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães e acompanha a atuação de Marighella à frente da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização que combateu o regime instaurado após o golpe de 1964.
O filme tem Seu Jorge no papel principal, enquanto Wagner Moura aparece como Humberto, dirigente da ALN, além de assinar a direção do projeto.
Atuação em Hollywood com “Guerra Civil”
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Cailee Spaeny e Wagner Moura em cena de ‘Guerra Civil’ — Foto: Divulgação
Wagner Moura também integrou o elenco do filme “Guerra Civil”, dirigido por Alex Garland, em 2024. No longa, ambientado em um futuro distópico nos Estados Unidos, o ator interpreta Joel, um jornalista que acompanha uma equipe de repórteres em meio a um conflito armado no país.
Em “Guerra Civil”, ele contracena com nomes como Kirsten Dunst, Cailee Spaeny e Jesse Plemons, em um filme que discute os limites do jornalismo, da violência e da polarização política.
Consagração com “O Agente Secreto”
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Wagner Moura é Marcelo em ‘O Agente Secreto’ — Foto: Divulgação
Com “O Agente Secreto”, Wagner Moura alcança um feito inédito para o cinema brasileiro ao disputar o Oscar de Melhor Ator. No filme, ele interpreta Marcelo, um professor que desembarca em Recife, em 1977, fugindo de ameaças em São Paulo para tentar reencontrar o filho.
A cerimônia do Oscar 2026 está marcada para o dia 15 de março e será realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos.
No dia 12 de janeiro, o ator também fez história ao vencer o prêmio de melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro 2026 por “O Agente Secreto”. Foi a primeira vez que um ator brasileiro venceu na categoria.
O filme brasileiro também levou o Globo de Ouro de melhor filme em língua não-inglesa. Foi a primeira vez em 27 anos que o Brasil ganhou nesta categoria, após a vitória de “Central do Brasil”, e a primeira na história que o país vence dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro.
Em maio de 2025, Wagner Moura ganhou o Cannes de melhor ator pela sua atuação no filme. A estreia no festival francês aconteceu com cerca de 15 minutos de aplausos, segundo a jornalista Jada Yuan, do “Washington Post”.









