A Bahia registrou um avanço significativo no número de pessoas que vivem sozinhas, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e revelam mudanças importantes na forma como os baianos estão organizando seus arranjos familiares e habitacionais. Em 2025, o Estado passou a ter a segunda maior proporção de domicílios unipessoais do país, com 22,3% das residências ocupadas por apenas uma pessoa, o equivalente a cerca de 1,263 milhão de lares. O índice coloca a Bahia atrás apenas do Rio de Janeiro (23,5%) e representa uma mudança relevante no cenário nacional, já que, em 2024, o Estado ocupava a quinta posição nesse ranking.
Crescimento de moradores sozinhos é puxado por idosos
O avanço dos domicílios unipessoais está diretamente ligado ao envelhecimento da população baiana. Entre 2024 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais cresceu 7,2%, alcançando 2,464 milhões de habitantes, o que corresponde a 16,6% da população total do estado. Metade das pessoas que passaram a morar sozinhas no período são idosas. Das 167 mil novas pessoas vivendo sozinhas, cerca de 82 mil têm mais de 60 anos, evidenciando uma tendência de maior autonomia, mas também de possíveis desafios sociais, como isolamento e necessidade de políticas públicas específicas. Além dos idosos, o crescimento também foi registrado entre outras faixas etárias. Adultos de 30 a 59 anos representam 48,1% das pessoas que vivem sozinhas, enquanto jovens de 15 a 29 anos somam 11,6% desse total.

População da Bahia cresce pouco e mantém posição nacional
Mesmo com essas mudanças, a população da Bahia manteve crescimento discreto. Em 2025, o Estado alcançou 14,850 milhões de habitantes, consolidando-se como a quarta maior população do Brasil. No entanto, o ritmo de crescimento foi de apenas 0,1% em relação a 2024, o equivalente a cerca de 21 mil pessoas a mais em um ano. Trata-se de um dos menores índices do país, refletindo uma tendência de desaceleração demográfica já observada em outras regiões.
Mudanças nos modelos de moradia
A expansão dos lares unipessoais também impacta outros tipos de arranjos domiciliares. Os chamados domicílios nucleares, formados por casais com ou sem filhos ou famílias monoparentais, continuam sendo maioria, mas perderam participação proporcional, passando de 63,6% para 62,5% entre 2024 e 2025. Já os arranjos estendidos e compostos, que incluem outros parentes ou pessoas sem vínculo familiar, apresentaram redução tanto em números absolutos quanto em participação no total de residências.
Cresce número de pessoas vivendo de aluguel
Outro dado relevante da Pnad Contínua mostra mudanças na forma de acesso à moradia. Entre 2016 e 2025, aumentou o número de pessoas vivendo em domicílios alugados, passando de 1,712 milhão para 2,391 milhões, o que representa 16,1% da população baiana. Apesar do crescimento, a maioria ainda vive em imóveis próprios. Em 2025, cerca de 75,4% dos baianos residiam em casas próprias, sendo que grande parte desses imóveis já estava quitada.
Avanços e desafios no saneamento básico
O acesso a serviços de saneamento básico apresentou melhora, mas ainda sem impacto significativo na posição da Bahia no ranking nacional. O percentual de moradores com acesso a esgotamento sanitário adequado subiu de 58,2% para 61,2%, alcançando cerca de 9 milhões de pessoas. Já a coleta de lixo também teve leve avanço, passando de 85,6% para 86,4% da população atendida, mas o Estado segue entre os piores índices do país nesse quesito. No abastecimento de água, a Bahia apresentou desempenho um pouco melhor, com 85,9% da população com acesso à rede geral, superando a média nacional.
Bens duráveis ainda são limitados nos domicílios
A pesquisa também revela dados sobre a presença de bens duráveis nas residências. Em 2025, 44,4% da população vivia em domicílios com máquina de lavar, enquanto 36,3% tinham acesso a carro e 34,6% a motocicleta. Esses números ainda estão abaixo da média nacional em alguns casos e refletem desigualdades socioeconômicas, especialmente quando comparados a estados do Sul e Centro-Oeste.
Tendência de envelhecimento e impactos futuros
Os dados reforçam uma tendência estrutural: a Bahia está envelhecendo, e isso influencia diretamente o perfil dos domicílios e das relações sociais. O crescimento dos lares unipessoais, especialmente entre idosos, aponta para a necessidade de políticas públicas voltadas à assistência social, saúde e moradia adaptada. Ao mesmo tempo, mudanças no mercado de trabalho, no custo de vida e nas dinâmicas familiares também ajudam a explicar por que mais pessoas optam, ou precisam, viver sozinhas. A Pnad Contínua evidencia que o estado atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda, na forma de morar e viver, com impactos que devem se intensificar nos próximos anos.











